Rua dos Bragas, 223: Junho 2011

Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

Para quê queimar os neurónios a estudar? Copia-se e pronto!

Sempre ouvi dizer que «o mundo é dos espertos».

A lógica é clara: Para quê queimar os neurónios a estudar? Copia-se e pronto!

Se correr bem, pode conseguir-se uma boa nota. Mas se o interesse é passar o exame, o dez está garantido.

Aliás, um mau copiador esforça-se até por ser apanhado, não vá a coisa correr mal, copiar mal (acontece àqueles que não estudam mesmo nada) e arriscar-se a chumbar.

Não me admiro nada, se a moda pega (na FDUP não pega, vos garanto), que comecem a vender-se uns crachás a dizer «Estou a copiar», para evitar que vigilantes pouco diligentes façam vista grossa e o esforço do "estudante" tenha sido em vão.

Valores! Ai Valores! Ai mundo para que te criaram!

Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

Esqueça o mal, pense só no bem. Que assim a felicidade um dia vem!

Porque estamos numa de recordar grandes artistas aqui no blogue; e porque o tempo é de exames e não dá para mais; e porque veio a talho de foice numa conversa de amigos os versos que escolhi (por isso mesmo) para título do "post", que fazem parte da letra de uma música "velhinha" de Roberto Carlos (o Rei) - "Não quero ver você triste assim", decidi partilhar convosco essa relíquia.

Trata-se de uma gravação ao vivo, feita em Portugal, numa produção da Radiotelevisão Portuguesa (RTP), corria o ano de 1966, no programa "Canção é Espectáculo", naquela que constituiu a primeira actuação de Roberto Carlos fora do Brasil.

Para os românticos, vale a pena apreciar a poesia da canção :

Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

Fazia anos neste dia, aquele que eu mais gostava de ter conhecido em Pessoa


Nasceu há 123 anos. Um Génio! Alguém que eu adorava ter conhecido pessoalmente!

Escrevia coisas simples, assim, como esta:

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

Domingo, 12 de Junho de 2011

Nova Orquestra "Medellín" Portuguesa - Formação e Estrutura


Formação e Estrutura da
Nova Orquestra "Medellín" Portuguesa

Sábado, 11 de Junho de 2011

"Esselentíssimo Juiz"

Ao transitar pelos corredores do Tribunal, certo advogado (e professor) foi chamado por um dos juízes ao seu gabinete:

— Olhe só que erro ortográfico grosseiro temos nesta petição.

Estampado logo na primeira linha da petição lia-se: "Esselentíssimo Juiz".

Gargalhando, o magistrado perguntou-lhe:

— Por acaso esse advogado foi seu aluno na Faculdade?

— Foi sim - reconheceu o mestre. Mas onde está o erro ortográfico a que o senhor se refere?

O juiz pareceu surpreso:

— Ora, meu caro, acaso não sabe como se escreve a palavra excelentíssimo?

Então o catedrático explicou:

— Acho que a expressão pode significar duas coisas diferentes. Se o colega desejava referir-se à excelência dos seus serviços, o erro ortográfico é, efetivamente, grosseiro. No entanto, se fazia alusão à morosidade da prestação jurisdicional, o equívoco reside apenas na junção inapropriada de duas palavras. O correto então seria dizer: "Esse lentíssimo juiz".

Depois disso, aquele magistrado nunca mais aceitou o tratamento de "Excelentíssimo Juiz", sem antes perguntar:

— Devo receber a expressão como extremo de excelência ou como superlativo de lento?

Sexta-feira, 10 de Junho de 2011

Coração Puro!

Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando ausente,
Não sente mais que a pena das lembranças;
Porque, inda que se tema de mudança,
Menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.

Mas triste quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa de pecado.

In: Versos e alguma prosa de Luís de Camões, Edição da Fundação Calouste Gulbenkian, organizada e executada por Moraes Editores, 10 de Junho de 1977

Quinta-feira, 9 de Junho de 2011

A educação precisa de passar por uma revolução

Os sonhos não podem morrer

"Ao longo da história, muitos seres humanos conheceram a sinfonia da incompreensão e a melodia das rejeições. Ninguém os entendia, ninguém os apoiava, ninguém acreditava neles. Aprisionados na terra da sollidão, só podiam contar com a força dos seus sonhos e da sua fé. Suportavam avalanches por fora e terramotos por dentro.

Sócrates, Platão, Aristóteles, Agostinho, Espinosa, Kant, Descartes, Hegel, Einstein e tantos outros foram dominados e impulsionados pelos seus sonhos. Brilharam como pensadores. Os seus pensamentos tornaram-se a chuva tranquila que irrigou os excelentes campos das ideias. Mas onde estão os pensadores da actualidade?

Centenas de milhões de jovens estão nas escolas em todo o mundo, mas são vítimas de uma educação em crise. Os professores estão a transformar-se em máquinas de ensinar, e os alunos, em máquinas de aprender.

O futuro da humanidade depende da educação. Os jovens de hoje serão os políticos, os empresários e os profissionais de amanhã. A educação não precisa de consertos, precisa de passar por uma revolução."

Extraído do livro de Augusto Cury: Nunca desista dos seus sonhos, Pergaminho, 1ª edição, 2005.

Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

E ninguém botou neles, ess’é qu’é essa!

Ouvido numa sala de espera das urgências pediátricas de um hospital nacional, a propósito das eleições legislativas que decorreram na véspera:

«Amanhã, mômigo, bai ser a merda do costume: as coisas começu’dar p’ó torto e é bê-los todos a fugir cu cuzinho à seringa. E se pruguntares à malta, é que ninguém botou neles, ninguém, não sei é cum’é qu’eles fôru lá parar ao poleiro. Premeiro pondezus lá, butáizius lá no poleiro, cutcheiro nalguma coisa, ópôis teraindzus candacoisa não butcheira... tá bisto, não s’imbenta mai’nada, é semp’a mema merda! E ninguém botou neles, ess’é qu’é essa!»

Sábado, 4 de Junho de 2011

Votar é imperioso (e devia ser obrigatório)


Votar devia ser obrigatório.

A hipocrisia reinante provoca-me náuseas.

Temo pelo futuro dos meus filhos!


Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

Também as crianças se preocupam com os pais!

Quando pensamos que os pequenotes, as crianças, nomeadamente os nossos filhos, só dão importância ao que lhes diz diretamente respeito, eis que acontece algo de verdadeiramente extraordinário que nos prova exatamente o contrário.

O Leonardo tem quatro anos, é o meu filho mais novo, chega a casa no autocarro da escola por volta das seis e meia da tarde, vai direto à cozinha, abre o frigorífico e saca um iogurte e vai para a sala comê-lo e ver o canal Panda. A irmã, a Leonor, de 5 anos, antecede-o na rotina. A mais velha, a Liliana, faz as honras da casa, vai fazer 14 anos, é uma mulher grande ao pé deles e tem uma paciência de Job com os irmãos (e tem teste no dia seguinte). Vá lá, Liliana, liga a televisão!

Uma vez refastelado no sofá, perna traçada como os homens grandes, sem retirar o olhar da televisão, o rapazola mira-me pelo canto do olho e diz: «Ó pai, tiveste teste, hoje?!».

Isto passou-se na segunda-feira, e de facto tive o primeiro exame de final de ano, de Direito das Obrigações, nesse dia logo pela manhã, mas como é que o puto sabia, ou, vá lá, o que é que terá despertado a curiosidade dele?! Isso quis eu saber, por isso lhe perguntei: «Tive, filho, tive teste hoje, mas porque é que perguntas? Como é que sabes?!»

A resposta que me deu não era bem a que eu esperava ouvir. É que, nestas fazes de exames, roubo-lhes um pouco tempo e de atenção que necessariamente tenho que atribuir aos livros. É injusto, eu sei, mas nunca sabemos quando fazemos o melhor. Desistir do curso agora seria a atitude mais ajuizada? Não sei, nem nunca saberei. É como tudo na vida: se as coisas correrem bem, foi uma opção acertada, se correrem mal, fui egoísta ao insistir em fazer um curso tão exigente com três filhos menores.

Portanto, a resposta que eu esperava era dentro desse contexto, que eu na última semana dera mais atenção aos livros do que a eles. Mas não. A resposta foi estranha e dita de uma forma tão desinteressada, assim como quem não quer a coisa, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, que me desconcertou. Como é possível uma criança de quatro anos ter semelhante perceção?

Diz ele: «Atão! Tens a sequetária toda arrumadinha!».

Ah! Era isso, então! Lá está, onde é que eu ia imaginar que os miúdos topassem a minha mesa de trabalho (enorme), carregada de papelada completamente desalinhada – códigos e mais códigos e livros de doutrina às carradas, misturados com facturas da luz e da água e do gás e da internet e do condomínio e recibos da farmácia e do dentista e papelinhos da escola pedindo autorização para os mais novos irem em visitas de estudo para aqui e para ali mais outros tantos a pedir dinheiro para gelados e para as festas de finalistas e dos santos populares e as rifas para ajudar à festa que não tive coragem nem vagar para vender e que tenho que pagar integralmente do meu bolso e a autorização para a Leonor ir a Lisboa de avião na festa de finalistas (essa é que me custou e andou ali pela mesa mais de um mês, até não poder atrasar mais) e fotografias deles injustamente mal arrumadas que me vão servindo de marcadores de livros e copos vazios e lenços de papel e jornais e fios e cabos do PC mais carregadores de telemóvel e post-its e pisa-papéis que os filhos me vão oferecendo no dia do pai feitos por eles na escola e partituras de música novas algumas e velhas de cem anos outras e telefone e telemóveis e auscultadores e dvd’s e arquivadores e pen-drives e agrafadores e fura-papéis e clips e alicates e máquina de furar/encadernar e capas e argolas de encadernar e brinquedos e balões e panos de limpar os óculos e não sei mais o quê... porque hoje a mesa está limpa e arrumada (não tanto já como estava no momento do episódio) e o aviso do Leonardo tem-me obrigado a ter mais cuidado com os objetos que trago para a mesa –, como é que eu ia imaginar, dizia, que os miúdos reparassem que a mesa agora estava limpa e que isso significasse que o pai fizera um teste?!

É que o ritual é mesmo esse: chegar a casa, depois de um exame feito, arrumar os livros daquela Cadeira, limpar a mesa de trabalho e colocar em pilha os materiais necessários para a preparação do exame seguinte!

Este é o terceiro ano na FDUP, é o sexto semestre ou sexto ciclo de exames, o Leonardo nasceu com o pai a estudar, aprendeu a falar e a contar e a andar de bicicleta sozinho sem as rodas laterais e sem a ajuda de ninguém, portanto é normal que tenha conseguido também sozinho perceber que a secretária do pai subitamente arrumada é sinónimo de teste (o que quer que isso represente na cabecinha dele)!

Este texto é para eles, para os meus filhos, porque tem uma mensagem muito importante: a de que também os filhos observam com atenção e se preocupam com os pais!

No dia 1 de Junho de 2011, Dia Mundial da Criança.
 
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