sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Entra nesta Casa! Ela é tua!...

Depois do regresso às aulas e de conversar com alguns colegas sobre o Blogue decidi esclarecer definitivamente a forma e as condições necessárias para integrar a "família desta casa", isto é, participar como co-autor deste Blogue.

Até ao dia de ontem os elementos que aderiram foram convidados pessoalmente por mim por me terem manifestado gosto em fazê-lo. E esse gosto tinha várias formas de se manifestar: fosse porque participavam no blogue comentando os textos nele publicados (as primeiras adesões); posse porque, em conversa ocasional nas instalações da FDUP, acabavam por expressar esse desejo pessoalmente. Face a estas manifestações de interesse eu fazia o convite.

Ora, quem nunca teve oportunidade de conversar comigo sobre o assunto, nem participa no blogue comentando os textos, porque ou não gosta de o fazer ou não conhece sequer o Blogue (não faço qualquer tipo de publicidade para além das referidas conversas ocasionais), poderá pensar que os convites são criteriosos e que escolho as pessoas por alguma preferência de simpatia ou outra qualquer. Isso não é verdade.

Todos os colegas do meu curso têm aceitação directa, desde que manifestem essa vontade. Quaisquer outros elementos da FDUP podem igualmente solicitar adesão e ela será analisada, isto é, carecerá de um conhecimento pessoal prévio da pessoa que se candidata.

Posto isto, ocorreu-me ontem a ideia de disponibilizar aqui no Blogue um pequeno formulário destinado exclusivamente a facultar o pedido de adesão ou, se quiserem, à manifestação de vontade de se juntarem a esta "família".

Esse formulário está já disponível (desde onte à noite) na barra lateral do Blogue, e posso dizer-lhes que já conseguiu o primeiro aderente - neste caso, uma menina. Vamos aguardar que ela se nos apresente! Estou certo de que o fará brevemente.

Aproveito também a ocasião para esclarecer que não existem regras para os co-autores do blogue. Nem em termos de conteúdos nem de regularidade das suas publicações. Uma senha de acesso a este espaço poderá comparar-se ao dístico da Via Verde das autoestradas portuguesas: podemos não utilizá-lo durante meses mas, de repente, vem uma emergência e ele é-nos bastante útil.

Por fim, aqui fica o conselho:


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Chiamate i pompieri!

Sinceramente, Itália sempre me fascinou… Não pelo facto de sua capital ter sido mãe de um Império que nos deu muitas raízes e da qual todos que lá moram querem fugir quando os turistas se atropelam para entrar, não pelo facto de as suas riquezas históricas nos levarem a Rómulo e Remo, não pelo Vaticano (lá, imponente, como sempre) para além de ser a casa física dos guardiões do espírito e tentar, às vezes, fazer como ponto de equilíbrio nas questões mais delicadas, não pela “lo stivale” que a todos nos mostra um pouco do que a natureza faz e que dá nome ao país, não… não por ser “il Belpaese”.

Há quem se lembre de Roma quando se fala em Itália, há quem se lembre do que o Império que lá nasceu nos deu… Outros lembram-na pelos seus defeitos, pelas inúmeras pessoas de todos os tipos e feitios que, afinal, as há em qualquer lado… Bem, eu apaixonei-me pelo país pela língua: as semelhanças com o nosso português são inúmeras, o sentimento que ela nos transmite é uma mistura de paixão com um calor acolhedor.

Mas, enfim, todos nós temos a nossa opinião sobre cada lugar diferente no mundo, cada país pertencente à nossa EU… Talvez cada um de nós acha o que quer sobre Itália.

O que e vim aqui fazer foi deixar um pequeno comentário às últimas notícias que venho ouvindo sobre este país: quer dizer, apenas pretendo transmitir aquilo que vem sendo dito sobre o Governo de Sílvio Berlusconi e as suas controvérsias, convidando todos os que desejarem a fazer uma reflexão escrita ou tão-só interior a este tema.

Primeiro ponto, transmito um pouco da notícia que hoje li na revista Visão: foi aprovado, “na passada sexta-feira, um decreto-lei que autoriza a realização de «rondas de cidadãos» com vista a evitar violações. A medida, apelidada de fascista pelos seus críticos, permite que, sob autorização da autarquia local e controlo de um delegado da administração, sejam criados regimes de vigilância civil. Estas verdadeiras milícias, de triste memória em Itália, devem ser formadas por «voluntários não armados», provenientes de associações, dando-se embora preferência, na sua constituição, a «ex-membros das forças armadas». O decreto-lei constitui mais um passo no conflito que opõe o primeiro-ministro aos restantes altos magistrados da nação, do presidente da Assembleia, ao próprio Presidente da República. Esta é a terceira medida a suscitar fantasmas fascistas, no espaço de um mês. As duas anteriores prenderam-se, uma, com a obrigatoriedade de os médicos denunciarem pacientes que sejam imigrantes ilegais (na foto, o campo de Lampedusa, após uma revolta) outra, com a pretensão de confinar os ciganos a determinadas áreas.”

Segundo ponto, quando me encontro a ver o Primeiro Jornal, SIC, a notícia é a seguinte: o Governo, em Itália, prepara-se para aprovar uma nova forma de fazer greve – a greve on-line – para que os trabalhadores tenham apenas de dizer que estão de greve, sem que isso prejudique a empresa.

Bem, posto isto, o que eu posso dizer é:

1) Que tipo de violações pretende o governo italiano evitar? Quantos outros tipos de violações serão cometidos devido a esta medida? Eu não sei o que se lá passa, por isso, falo completamente no escuro, mas será que eu me sentiria mais segura sabendo que, de vez em quando, andam por aí grupos de homens supostamente desarmados, com treino militar para me proteger? Será esta a medida mais eficaz ou mesmo a única medida possível? Repito, não conheço a realidade italiana. Apesar disso: porque não se pensa em iluminar as ruas medronhas, ou porque não se pensa em todas as casas que estão desabitadas? Melhor, porque é que tantos crimes não são punidos e outros tantos são incentivados? Ainda hoje, na aula de economia política, ouvimos dizer que a Defesa não pode ficar a cargo de particulares: primeiro destoem-na e depois acabam por se destruírem.

2) Depois, cadê o sigilo profissional? Muito bem, temos de proteger as nossas fronteiras dos perigos dos “mortos de fome”, mas e se fiscalizassem primeiro? E se, em vez de ficarem de braços cruzados à espera que uma ordem lá de cima venha tornar todos os profissionais de saúde os “chibos de serviço”, partissem para o terreno e fizessem o seu trabalho? Daqui a pouco estamos a dar uma recompensa no valor do salário mínimo por cada imigrante ilegal que for entregue às autoridades… Daqui a pouco temos profissionais da caça ao trabalhador furtivo…

3) Em seguida, depois de retirados todos aqueles que não são bem-vindos no nosso território… há que “chegar pró lado” os ciganos. Não sou defensora das etnias em vias de extinção, mas o que irrita, irrita! Tudo bem que, muitos deles (e atenção ao perigo da generalização), não se querem integrar e não pretendem viver como “as pessoas normais”. Mas quem somos nós, pessoas normais (aquele que segue a norma, a maioria), para tentarmos uma aculturação falhada sobre os ciganos e, depois, para os castigarmos por eles serem maus alunos? Eu não sei, mas se já sobrevivem tantos estereótipos sem os discriminarmos, como é que algum dia vai ser possível eles se sentirem tentados a partilhar “connosco” a sua maneira de viver e, sequer, como é que eles vão experimentar a “nossa”, se os mandamos para um canto? Imaginemos: eles não querem dar estudos aos seus filhos, podem até pensar que não vale a pena; mas, uma criança de 7, 9, 12 anos que vive numa “aldeia isolada no mundo da etnia cigana” que vá a uma escola em que TODOS olham para ela como um bicho, voltará???

4) Por último, isto faz-me lembrar quando, na China, se viam os funcionários a fazer greve simplesmente com uma tabuleta que dizia: “estou em greve”. Greve?? Será que todos se esquecem do que isso significa, ou não querem lembrar? Ah! Pois! As empresas não podem ter quebras de produtividade! Eu não sou apologista do ficar em casa porque só tive um aumento de um euro, ou até porque o salário congelou. O que eu acho é que os funcionários devem contribuir para o sucesso da empresa e os empresários devem estar preocupados com o mínimo bem-estar e empenho da sua mão-de-obra. Portanto, quando a massa operária protesta, no mínimo, deve-se dar atenção: quanto mais não seja reparar pelo simples facto de não estarem lá, a produzir. Ora, se apenas dizemos “estou em greve por isto…” e nada mais fazemos, o boss vai ignorar completamente a nossa mensagem (até sorri….).

E pronto, sem mais nada a dizer…

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Tópicos do diário de um Estudante de Direito

Regresso às aulas. Início do segundo semestre. Saudar os professores e desejar-lhes boa sorte. Matar saudades dos amigos. Colocar a conversa em dia. Rever com alegria uma colega que esteve ausente muito tempo por motivos de doença (welcome back, Cláudia). Escutar criticas às novidades "desta casa" e registar novas ideias.

Foi assim o dia de hoje, 25 de Fevereiro de 2009, na Rua dos Bragas, 223.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

É tempo de Mudança!

É a crise, dizem todos!... A famigerada crise é assunto recorrente que tudo justifica, até a malícia (ou má-fé) mal disfarça dos falsos modestos.

Mas o que é a crise, afinal?! Não é uma "coisa", não é uma organização nem tão pouco uma pessoa ou colectividade. A crise é tão só um estado, uma situação ou um ponto de viragem, de mudança. E porque não dizer que a crise é adubo, fertilizante?!...

Quando falamos de crise, falamos de economia e de crise económica. Tomemos a economia como um daqueles carrinhos de pilhas que já foram noutros tempos os brinquedos mais sofisticados que os rapazes aguardavam que lhes fossem oferecidos pelo Pai Natal.

Havia dois modelos, ou tipos, de carrinhos de pilhas diferentes: os que tinham umas rodas giratórias no chassis, ao centro, e que, quando se ligavam, desatavam a andar de um lado para o outro até encontrarem um obstáculo, posto o que se viravam instantaneamente seguindo noutra direcção, ou ficavam ali a patinar durante breves segundos e lá acabavam por se virar e seguir noutra direcção à sorte até encontrar novo obstáculo. Depois havia outro modelo, ou tipo, mais avançado, mais sofisticado, que tinha um telecomando e que fazia as delícias da pequenada e dos mais velhos também. Este modelo já exigia perícia, treino, técnica e pensamento, atitude intelectual para comandar o carrinho evitando os obstáculos. Mas os choques eram inevitáveis, por mais hábil que fosse o operador, por mais cuidado ou treino que se tivesse. Os carrinhos apanhavam tal velocidade e os obstáculos eram tantos que se tornava impossível impedir que o brinquedo chocasse violentamente contra os móveis ou se despenhasse por uma escadaria abaixo. O carrinho era recolocado na "pista" e a brincadeira retomava com maior vigor e animação...

A crise não é mais que um momento de paragem forçada face a um obstáculo que logo logo será uma miragem que só interessará aos estudiosos do passado. Talvez para perceberem quando e como irá aparecer a nova crise. Mas se prevêem que uma nova crise vai ocorrer está a admitir-se que ela é inevitável como outras o foram, logo, não será o fim do mundo! A crise é, portanto, uma situação, um ponto de mudança, não é uma "coisa" má.

Há uma coisa, sim, muito importante que tem de se ter em mente nos momentos de crise: a humanidade não acaba por uma simples crise económica. Ora, se não acaba só pode sair reforçada, porque ao superar uma dificuldade superamo-nos a nós mesmos. Não é verdade que "o que não nos mata torna-nos mais fortes"?!...

É verdade que muita gente poderá passar por dificuldades, a pior das quais é a falta de alimentos na mesa. Mas isso, meus amigos, não se ultrapassa pensando nos muitos milhões de seres humanos que passam fome no mundo, ou nos milhares que necessitam de alimentos em Portugal. Esse pensamento é nobre mas logo nos remete para o refúgio da cómoda máscara da "inevitabilidade" e consequentemente à inacção.

Mas há algo que podemos (e devemos) fazer: olhar em volta de nós mesmos e tentar perceber se existe um só indivíduo que precise da nossa ajuda. Um só... e ajudá-lo!

Porque crise é tempo de Mudança!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Biblioteca Virtual Estudante - Nova Localização

Vou finalmente falar das alterações que se operaram "nesta casa" nos últimos dias. Algumas foram apenas de "cosmética", outras sem qualquer efeito prático para os utilizadores, mas uma delas constitui uma profunda reviravolta na estrutura do Blogue. Trata-se da subtracção da nossa Biblioteca Virtual que se autonomizou e ganhou um espaço próprio.

Como alterações de "cosmética" temos:

  • a subtracção da Barra de Navegação no topo do Blogue o que permite uma maior área de visualização do Blogue em si mesmo;

  • foram retirados os widgets de notícias na barra lateral;

  • adicionei uma fitinha no canto superior direito do Blogue que apontam alguns problemas sociais e vão rodando aleatoriamente (este é um adorno que a qualquer momento pode ser retirado);

  • suprimi a caixa da Biblioteca Virtual, pois deixou de fazer sentido a sua manutenção.

Alguns melhoramentos:

  • foram acrescentados, também na barra lateral, os links dos últimos comentários e artigos publicados;

  • foi substituído o pesquisador Google por outro mais poderoso e personalizado que permite pesquisas no interior do Blogue (estes resultados são apresentados "por defeito") e em toda a web (segunda opção, por decisão do utilizador). Aconselho a não utilização de acentos ou quaisquer outros caracteres especiais como o "ç" para obtenção de melhores resultados;

  • foi adicionado um Link que encaminha os interessados para o novo endereço da Biblioteca Virtual;

  • Incluí um formulário para contacto que pode ser utilizado para todo e qualquer assunto.

Apresentadas as principais alterações resta-me convidá-los a visitarem o novo espaço da Biblioteca Virtual Estudante. Gostaria que lessem os dois primeiros textos lá publicados para melhor se inteirarem das minhas razões e expectativas sem ter que me repetir aqui.

Os textos em causa têm os seguintes endereços:

Alguns materiais lá publicados foram enviados por colegas nossos pelo que convido todos a seguirem-lhes o exemplo e contribuírem, dessa forma, para o enriquecimento da Biblioteca Virtual Estudante. Mesmo que saibam que os materiais se encontram com facilidade em outros sites da Internet. Leiam os textos que lhes indico supra e entenderão porque eu o faço.

Partilhem, colaborem, sugiram!

Atrevam-se, criem, inovem!

Desafiem, enfrentem, arrisquem!

Entreguem-se, não esperem!...

O país precisa de quem se atreva a afirmar, contra ventos e marés:

“Eppur si muove”


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

De volta ao trabalho!

É tempo de voltar ao trabalho. Na passada sexta-feira (dia 13) prometi que retomaria a actividade na segunda-feira, para pôr a escrita em dia, mas tal não foi possível. Foram várias as razões entre as quais o programa Prós e contras, do Canal 1 da RTP, cujo tema era o Casamento entre pessoas do mesmo sexo, que foi para o ar no único horário que eu tinha disponível. Optei por ver o programa faltando ao compromisso aqui assumido. O que sublinho do programa?! Uma preocupação! Pessoas extremamente intolerantes com uma simples opinião contrária à sua, acusando de intolerantes quem defende uma convicção. Estas incoerências, por tão vulgares que se tornaram (infelizmente) no quotidiano político e social do nosso país, passam despercebidas à maioria das pessoas... mas são graves... muito graves!

O debate foi interessante, com momentos de alguma elevação mas outros, diga-se, a rondar a brejeirice. Pessoas de elevada formação académica denotando enormes dificuldades em conter uma forte emotividade, incapazes de isolar a enorme componente subjectiva que determina a sua posição face ao assunto em debate.

Já no programa da semana passada, em que o tema em debate era o caso Freeport Outlet de Alcochete, se passara algo idêntico. A cátedra intelectual a pronunciar-se sobre casos de Justiça com tamanha carga emotiva que até dá dó. Preocupante, porque o exemplo vem (devia vir) de cima!

De volta ao programa de ontem. Não pretendo desenvolver hoje o tema, mas confesso que era minha intenção, antes de me retirar para "férias", deixar um texto para debate confrontando os dois maiores monumentos legislativos do ordenamento jurídico português - A Constituição da República Portuguesa (CRP) e o Código Civil Português (CCP) - destacando os artigos apontados em ambos como justificativos das posições antagónicas nesta matéria: o artº 13º da CRP (Princípio da Igualdade) e o artº 1577º do CCP (Noção de Casamento). Fica a ideia, à qual voltarei (talvez) em breve, pelo que recomendo a leitura do Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa sobre o Casamento Homossexual - Processo:6286/2006-8 de 15 de Fevereiro de 2007.

Neste parágrafo pretendo saudar os meus companheiros co-autores do blogue que publicaram textos na minha ausência e dizer-lhes que muito me custou não lhes ter acrescentado um comentário. Fram três textos muito bons, simples e criativos e, particularmente o da Catarina e o do João Miguel, abordando temas da minha eleição. A eles voltarei, pois a minha concepção de blogue e participação neles não é comentar apenas e só quando os textos são "frescos". Todos os textos estão sempre disponíveis para serem comentados, porque isto não é um jornal diário que amanhã está no lixo ou a embrulhar castanhas. Um blogue é um documento, um registo intelectual que perdura, que poderá e deverá ser comentado a todo e qualquer momento.

Sobre as alterações do Blogue, para além daquelas que são óbvias e saltam à vista, delas vos darei conta num próximo texto (chamo-lhes textos, já lhes chamei artigos e há quem lhes chame posts; sinceramente nenhum destes conceitos me "sabe" bem. Vou tratar de descobrir um mais adequado. Aceito sugestões).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sexta-feira 13!...


Na próxima segunda-feira estarei de regresso das minhas mini-férias dedicadas (um pouco mais) à família e espero, então, pôr a escrita em dia.

Entretanto, convido-os a descobrirem, durante o fim-de-semana, as alterações que se estão a operar "nesta casa". Como já uma vez disse: nada aqui é estático ou definitivo!

Bom fim-de-semana... e não se esqueçam dos namoros!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A sociedade dos individuais

Escuto diariamente comentários depreciativos à actual sociedade e ao que ela representa. Atingindo por ricochete aqueles que dela fazem parte e a constroem (todos nós). São dadas justificações das mais variadas ordens, ciências e perspectivas sociais. Seja a globalização, a competitividade, a informação massiva e dispersa, a insegurança ou mesmo a pluralidade de ideologias, os efeitos colaterais são reconhecidos e criticáveis por todos.

Interessante é que, pela maioria, a crítica é feita, as palavras são arremessadas, e o trabalho está feito!!!... Mas como na economia, na política ou no amor, não basta sermos passivos e críticos, há a necessidade constante de tomar a dianteira e ser activo, agindo em prol do que queremos e acreditamos.

A realidade académica não é diferente e acompanha esta tendência. E se a competitividade e individualismo no seio académico têm os seus créditos reconhecidos, sendo até fomentada por muitos, acaba por trazer com ela muitas consequências nefastas para os indivíduos como seres sociais.

Como todas as grandes viagens começam com um pequeno passo, faço deste post o meu. Dirijo esta reflexão a todas as relações interpessoais e, sem cair no vulgar, lanço um repto a todos os que partilham comigo o ideal de uma sociedade mais humana e digna.


Levantem os olhos do chão, olhem à volta, e procurem quem quer ser encontrado.

Sobre o que somos... e o que dizemos

Olá a todos!

Já ouviram certamente falar d'A Viagem do Elefante, o novo livro de José Saramago, que nos conta a história de Salomão, um elefante oferecido pela família real portuguesa a um arquiduque austríaco, e da viagem que, por força dessa oferta, o pobre animal foi forçado a fazer, desde Lisboa até Viena.

Não se assustem; ninguém me paga para fazer publicidade aos livros do Nobel da Literatura português e esse não, é, de todo, o meu propósito. No entanto, gostava que lessem umas quantas palavras que das mãos daquele senhor saíram:

“(…) Realmente, o maior desrespeito à realidade, seja ela, a realidade, o que for, que se poderá cometer quando nos dedicamos ao inútil trabalho de descrever uma paisagem, é ter de fazê-lo com palavras que não são nossas, que nunca foram nossas, repare-se, palavras que já correram milhões de páginas e de bocas antes que chegasse a nossa vez de as utilizar, palavras cansadas, exaustas de tanto passarem de mão em mão e deixarem em cada uma parte da sua substância vital. (...) Ainda que o não pareça à primeira vista, tudo isto tem muito que ver com aquela corajosa afirmação, acima consignada, de que simplesmente não é possível descrever uma paisagem e, por extensão, qualquer outra coisa. (...)”

Após um momento de reflexão, pergunto: o que a comunicação social nos conta, o que escrevemos nos nossos blogues, as Constituições formais face às materiais… serão elas tentativas vãs de expressar em palavras uma realidade demasiadamente vasta e complexa para os nossos pequenos mundos?

Eu acredito que sim. Nada do que possamos dizer basta para materializar tudo aquilo que nos excede, ultrapassando os limites desta breve existência – depois de nós outros virão, tal como aqueles que nos precederam, e nem assim se chegará à Verdade.

Por isso, arrisco concluir que cada palavra dita, escrita, imaginada, não é, de todo, uma certeza, mas sim uma aproximação, a esperança de chegar mais e mais longe, embora sabendo que, provavelmente, o fim da linha permanecerá uma incógnita. Valerá, então, a pena continuar? Para a resposta, uso palavras emprestadas: tudo vale a pena, quando a alma não é pequena…

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mundo ao contrário

Estava entretido a dar a volta ao mundo no Google Earth. Enquanto olhava para o “pequeno” planeta azul no ecrã do computador, dei por mim a pensar na balbúrdia a que a Humanidade o levou. Virei-o ao contrário. O Planeta mudou rapidamente de face e, os países do Norte pareceram-me insignificantes perante a majestade de África e da América do Sul. O Pacífico tornou-se maior e mais azul. Pena é, não o vermos mais assim. Ver o que de bom lá há e o que podia haver. Não pensam que temos, ao menos, um mundo tombado?