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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Sara! Welcome to the Club!...

Olá Sara!

Sê bem-vinda a "esta casa" como novo elemento da "família" que, paulatinamente, vai comprovando que, de facto, o nosso curso está recheado de muitos e bons valores!...

Quanto às palavras que me diriges, simpáticas sem dúvida, eram desnecessárias já que o mérito é todo teu.

Já fiz um pequeno comentário ao teu primeiro post "Cântico Negro" mas, porque sei que a maior parte dos visitantes não lê os comentários e eu saiba, por experiência de outros locais, que testemunhos maravilhosos ficam ocultos nos bastidores dos comentários, reescrevo-o aqui pois tu mereces que eu diga, não uma, nem duas, mas muitas vezes que me enches de alegria com a tua adesão a esta "família".

Porque...

A tua alegria é contagiante e estou seguro que vais conseguir transmiti-la por palavras, nos teus textos, quer aos restantes elementos quer aos nossos visitantes...

Conhecendo-te como te conheço pessoalmente - principalmente através de felizes episódios e coincidências que nos têm aproximado - sei que não precisas esforçar-te muito para conseguires a simpatia de todos!

Parabéns pelo poema escolhido que é dos meus preferidos e constitui "um" dos meus lemas de vida desde muito novo!... Resistir aos apelos sedutores, qual Ulisses ao cântico das sereias, e prosseguir o meu caminho... ainda que árduo!

Agora as palavras sacramentais:

Sê bem-vinda, Sara! Ilumina a tua mente! Abre o teu coração! Liberta a tua vontade!

Just be YOU!

"Cântigo Negro"

Confesso que é a primeira experiência a que me dedico ao “Mundo dos Blogs”, e, por isso, espero dar o meu melhor…
É com muito gosto que escrevo, pela primeira vez, aqui. É ainda com maior gosto que me junto a esta casa, a esta família.
Quero, desde já, felicitar os meus colegas, pelos textos magníficos que aqui têm deixado, e a ti Luís, em especial, pelo apoio para que eu aqui me “enfiasse” e que contribuiu para que eu me libertasse de um certo medo de publicar…
Quero saudar também, em especial, a Ângela, pelo texto magnífico que publicou, que me abriu olhos, alma e espírito. Que me fez perceber que esta demanda, que não será certamente a minha, talvez venha a valer a pena, talvez venha a ser compensatória … Que me deu, de certa forma, força de vontade para caminhar em frente, recalcando os meus medos, as minhas dúvidas, as minhas angústias. Que me fez perceber que talvez valerá a pena lutar …

Deixo agora um poema, muito querido meu…


"Cântico Negro" de José Régio



Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!




José Régio