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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mundo ao contrário

Estava entretido a dar a volta ao mundo no Google Earth. Enquanto olhava para o “pequeno” planeta azul no ecrã do computador, dei por mim a pensar na balbúrdia a que a Humanidade o levou. Virei-o ao contrário. O Planeta mudou rapidamente de face e, os países do Norte pareceram-me insignificantes perante a majestade de África e da América do Sul. O Pacífico tornou-se maior e mais azul. Pena é, não o vermos mais assim. Ver o que de bom lá há e o que podia haver. Não pensam que temos, ao menos, um mundo tombado?



domingo, 28 de dezembro de 2008

Iberismo: Espanha e Portugal - jangada de pedra?





Não sabia sobre o que escrever. Lembrei-me de um trabalho que realizei com alguns colegas durante o 12º ano, com o tema "As Actuais Relações entre Portugal e Espanha". Um dos subtemas em análise foi o Iberismo. Penso que se trata de uma questão actual e interessante que, todos os dias, desperta discussão. Assim, deixo-vos um dos textos do referido trabalho.


Iberismo


«Por iberismo, em sentido lato, denominam-se as tendências políticas que lutam pela unidade da Península Ibérica, tendências essas que atravessam toda a história peninsular. Desde o século XIX, a corrente iberista associou-se à necessidade de afirmação de Portugal e de Espanha face às outras potências europeias. No entanto, em Portugal o Iberismo nunca foi uma corrente que se evidenciou, e se teve alguma expressão em alguns momentos dos séculos XIX e XX, tal facto ficou-se a dever à necessidade de ser equilibrada a posição de dependência lusa face ao Reino Unido.

A verdade é que, historicamente, o papel do iberismo na aproximação dos povos peninsulares foi completamente irrelevante. Pelo contrário, as aproximações luso-espanholas só ocorreram num contexto de absoluto reconhecimento, por parte da Espanha, da soberania, identidade e independência de Portugal, isto é, com a aceitação da existência natural de dois Estados na Península Ibérica. Compreende-se, assim, que as primeiras grandes aproximações políticas à Espanha, durante o séc. XX, tenham sido feitas por homens inquestionavelmente nacionalistas como os dirigentes do Estado Novo, que procuraram sempre evitar qualquer união política.
Não é habitual, entre nós, reflectir sobre o “ambiente” que nos cerca e que constitui o suporte vital dos povos ibéricos.

Numa dimensão espacial, a escala peninsular obriga-nos a um olhar atento e solidário quanto ao manuseamento sustentado dos recursos naturais, renováveis e não renováveis; numa dimensão temporal, a civilização herdada que nos é comum, exige-nos, no contexto europeu e ibérico, a cooperação e a criação de estruturas sócio-económicas e de convivência que fortaleçam o bem-estar, a igualdade ou equidade, tendo em vista a verdadeira fraternidade procurada por iberistas utópicos de ontem e de hoje.

É necessário superar, de uma vez por todas, o desconhecimento mútuo. Para os espanhóis, o distanciamento secular com que comtemplam Portugal e o desconhecimento tão generalizado das suas paisagens, da sua língua e das suas gentes, deveria ser motivo de vergonha. Clarín, iberista convicto escrevera há mais de um século: “Poderá ser discutível se Espanha e Portugal se deveriam juntar num só Estado a breve prazo; não cabe porém discutir se convém a dois povos irmãos e vizinhos se conheçam melhor e, por conseguinte, se estimem mais do que até agora”.

Todas as propostas relacionadas com o iberismo, nas formulações mais historicistas e antropológicas ou mesmo nas mais progressistas e federalistas, se apoiam num quadro de referências geográfico-culturais que todos conhecemos como Península Ibérica. Em todas elas, a Ibéria, ou antes, a mãe Ibéria aparece como suporte e substrato comum.

Castela aparece em alguns textos e escritores portugueses como a “sombra negra da nossa história”. Atribui-se a frase e a ideia de Eça de Queirós a quem doía profundamente a Península (“Oh esta Espanha!...Ah Portugal pequeno, que todavia és doce para os pequenos!”). Foi-se impondo em Portugal uma interpretação reducionista e simplificada da realidade histórica e geográfica, sublinhando sem limites a hegemonia de Castela e mostrando, em contrapartida lógica, uma “simpatia fraterna” para com a Catalunha e a Galiza.

Os portugueses não compreendem que os Filipes não os governaram como castelhanos mas, pelo contrário, como donos e herdeiros de uma monarquia plurinacional. Para os inimigos da União, tornava-se mais cómodo e mais eficaz para os seus objectivos referirem-se à Monarquia como Castela. O vizinho devia continuar a ser castelhano para poder ser inimigo. Não se pode estranhar, portanto, que o Sebastianismo, o mito do “rei encoberto” que regressaria a salvar Portugal e a recuperar a sua grandeza imperial, cobrasse um dividendo político e se convertesse num instrumento muito útil para manipular o sentimento popular orientando-se no sentido de uma oposição contra Madrid e contra a opressão “castelhana”.

Em meados do séc. XIX, insistem nesta linha toda uma série de opúsculos anticastelhanos e refutações anti-ibéricas que exaltam a grandeza de Portugal a quem “coube a glória de caminhar à cabeça da civilização europeia” e desvalorizam, severa e duramente, os iberistas que pretendem persuadir os portugueses a que se unam voluntariamente a Espanha. A atitude portuguesa manterá até hoje essa identificação de Castela com Espanha.

Com a eliminação das fronteiras, a União Europeia estimularia a convergência ibérica. Desde a adesão à Comunidade Europeia e da criação do Mercado Único estabeleceram-se formas distintas de colaboração que multiplicaram contactos públicos e privados entre Espanha e Portugal, animando em quase todas as direcções as relações bilaterais e regionais. É neste contexto que surge, com relevância, a cooperação transfronteiriça. Antes ou depois, teremos que enfrentar, espanhóis e portugueses, o ordenamento do território à escala ibérica e, com maior urgência, problemas de ordenamento transfronteiriço. Este é um dos reptos mais difíceis do iberismo do séc. XXI.

No processo de unidade peninsular, a história falhou inapelavelmente em favor da separação.
Chegou a hora da cooperação contínua. Chegou o momento de pôr de lado a arrogância e a indiferença espanholas e a desconfiança portuguesa. Unamuno aludia, há um século, “à petulante soberba espanhola, de um lado, e à mesquinha desconfiança portuguesa, de outro”, como responsáveis do alheamento espiritual e da falta de comunicação cultural. Em Espanha subsiste a ideia de que Portugal resulta de um fracasso histórico; em Portugal, teme-se a invasão espanhola.

Chegou o momento de partilhar a pluralidade e a diversidade cultivada na Península pela vivência secular de povos e gentes. Há que se valorizar esta teia cultural, onde as paisagens falam com uma linguagem carregada de símbolos geográficos da passagem e do trabalho dos seus homens e mulheres e as línguas transmitem-nos, na raiz das suas palavras, os vestígios distantes e variados que conferem coesão à civilização ibérica. Paisagens culturais e línguas unidas compõem um património imaterial e inatingível sobre o qual repousa uma boa parte do conhecimento e da compreensão da diversidade peninsular, aproximando-nos. Não podemos apenas contentar-nos com a memória. Devemos construir o futuro. Esse sim, é o Iberismo de hoje.» In As Actuais Relações entre Portugal e Espanha, ESRT, 07/08



quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal

Natal Chique

Percorro o dia, que esmorece,
nas ruas cheias de rumor;
minha alma vã desaparece
na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal.
Comprei um anjo,
dos que anunciam no jornal;
mas houve um etéreo desarranjo
e o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
a quem dão coroas no meio disto,
um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio

Desejo a todos os colegas, famílias e amigos um óptimo Natal.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Vasco! Welcome to the Club!...

As prendas de Natal (e não só, as de aniversário também... e outras) são tanto mais agradáveis quanto úteis e inesperadas!

Ora cá está um bom exemplo de uma excelente prenda de Natal: a adesão de mais um brilhante elemento a "esta casa".

Trata-se do nosso colega Vasco a quem desejo, desde já, que coloque ao serviço de todos nós, sem reservas, todo o seu potencial criativo e intelectual.

Finalizo com a expressão da praxe:

Sê bem vindo, Vasco! Ilumina a tua mente! Abre o teu coração! Liberta a tua vontade!

Just be YOU!