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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Esqueça o mal, pense só no bem. Que assim a felicidade um dia vem!

Porque estamos numa de recordar grandes artistas aqui no blogue; e porque o tempo é de exames e não dá para mais; e porque veio a talho de foice numa conversa de amigos os versos que escolhi (por isso mesmo) para título do "post", que fazem parte da letra de uma música "velhinha" de Roberto Carlos (o Rei) - "Não quero ver você triste assim", decidi partilhar convosco essa relíquia.

Trata-se de uma gravação ao vivo, feita em Portugal, numa produção da Radiotelevisão Portuguesa (RTP), corria o ano de 1966, no programa "Canção é Espectáculo", naquela que constituiu a primeira actuação de Roberto Carlos fora do Brasil.

Para os românticos, vale a pena apreciar a poesia da canção :

domingo, 29 de maio de 2011

El Toro Y La Luna

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Como se cumprimentam eles e elas!


Clique na foto para aumentar.

sábado, 3 de julho de 2010

Venturas e aventuras de Gunaldo de Liliputugal!

Um amigo meu prepara-se para editar em livro (com sérias probabilidades de vir a ser adaptado ao cinema, porque já tem propostas) as empolgantes venturas e aventuras de um jovem liliputuguês que muito novo saiu do seu país natal (Liliputugal, um país minúsculo de gente pequenina) atraído pelas calóricas euriguarias do país vizinho (e rival também, por sinal), onde cresceu e o fizeram importante.

Tanto cresceu e tão grande ficou, o herói desta entusiasmante quanto surpreendente estória que promete aquecer o verão 2010, e gelar (de vergonha) as gerações vindouras, tão grande ficou Gunaldo, dizia, que as camisolas do seus irmãos deixaram de lhe servir (darão ao menos para umas luvas?!) e tão importante se tornou que o hino do seu país não passa agora de uma canção de embalar que ele não canta porque nem sequer já sabe a letra (além de que seria uma vergonha para a sua reputação cantar semelhante infantilidade).

Atraído pela fama e convencido do seu valor, acedeu a comandar os exércitos do seu país natal (fez esse favor). Gunaldo bateu-se estoicamente até ao dia em que teve que enfrentar as hostes do país que o euralimentou e fez dele o gigante importante que agora é. Lá se aguentou como pôde até ao final da peleja – que perdeu – sem que ninguém pudesse acusá-lo de favorecer os seus benfeitores, dado que a pequenez dos liliputugueses os impede de observar com realismo a ficção (ou não será: a pequenez impede-os de observar sem ficção a realidade?! É qualquer coisa assim!).

O problema foi que na hora do espólio (que sempre premeia as hostes vitoriosas), para não ser levado como despojo pelos vencedores, Gunaldo renegou a sua pátria – Liliputugal – e juntou-se aos que considera verdadeiramente seus, aos seus pares, aos vencedores, porque, no seu esclarecido entender, um vencedor só pode estar de um lado que é o dos vencedores, nem que para isso tenha que ser um covarde, um desertor, um renegado, enfim, um traidor à pátria (minudências de somenos importância para essa raça de gente genética e intelectualmente mais evoluída). O culpado? O culpado foi o nobre que o armou cavaleiro sabendo que ele não era um comandante, e se o fosse não era certamente dos nossos.

Estes são os traços gerais da estória que o meu amigo vai publicar em livro. Mais não posso adiantar porque o autor e as editoras não mo permitem.

Estejam atentos. A primeira edição vai ser muito limitada, numerada e assinada pelo autor.

P.S.: Antes que perguntem vou já adiantando a resposta: Não, não tem desventuras, só mesmo venturas e aventuras, porque dos fracos não reza a História!

P.P.S.: Esta é uma estória cem porcento ficcionada, pelo que qualquer semelhança com a realidade será a mais pura e casta coincidência!

terça-feira, 29 de junho de 2010

E tudo era possível

Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido

Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido

E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer

Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer
Ruy Belo (27/02/1933 – 08/08/1978)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Team Hoyt! Um exemplo, uma comovente lição de Vida!

Um dia o filho pergunta ao pai:

"Papá, vens correr comigo a maratona?"

O pai, apesar da idade e de alguns problemas cardíacos, responde que sim, e ambos correm a primeira maratona juntos.

Algum tempo depois, o filho volta a perguntar ao pai se quer correr de novo a maratona com ele, ao que o pai anuiu uma vez mais.

Correm juntos a maratona pela segunda vez.

Certo dia, o filho coloca um novo desafio ao pai:

"Papá, queres correr comigo o Ironman?" (O Ironman é uma modalidade desportiva muito mais exigente, de tipo Triatlo... implica nadar 4 km, andar de bicicleta 180 km e correr 42 km).

E o pai volta a dizer que sim ao seu filho.

Até aqui parece nada haver de extraordinário, mas nada como uma imagem, que vale por mil palavras, para nos mostrar o que de maravilhoso, extraordinário, emocionante, exemplar e comovente se esconde por detrás desta aparentemente vulgar história desportiva entre pai e filho.

É por isso que os convido a ver com atenção, de preferência em recato e com som no computador, o magnífico vídeo que se segue:


Sobre a Team Hoyt!

Testemunho de Dick Hoyt.

domingo, 13 de junho de 2010

O Monge e o Escorpião

Certo dia um Monge tibetano, que passeava nas margens do Rio Bramaputra, reparou num escorpião que caíra à água adivinhando-se-lhe como certa a morte por afogamento nas águas profundas e gélidas do rio. Com pena da pobre criatura, o Monge pegou nela e, com cautela, com toda a gentileza, colocou-a em terra, devolvendo-a ao seu habitat. Enquanto procede ao salvamento, o escorpião afinfa uma valente ferroada no santo homem. E foi ela de tal forma violenta que o homem solta um enorme grito, tal a intensidade da dor.

Não muito longe dali passava um jovem que observou a cena desde o seu começo. Espantado, deteve-se para ver o desfecho, curioso.

Transido de dor, após a ferroada, o Monge dirige-se ao escorpião nestes termos: – Eu quis salvar-te, e salvei-te. É esta a minha recompensa? Apesar de tudo, cumpri o meu dever.

Ditas estas palavras o homem pôs-se a seguir o animal com o olhar, e qual não é o seu espanto quando o vê dirigir-se de novo para o curso do rio, caindo e afundando-se nele pela segunda vez.

Uns quantos metros atrás o jovem observador continuava a assistir a tudo, sem se mover ou proferir uma palavra. Observava, apenas.

Apesar de ainda não estar totalmente recomposto da dor da ferroada, o Monge não resistiu ao impulso e foi uma vez mais em socorro do escorpião ao mesmo tempo que lhe dirigia as seguintes palavras: – Ah, pobre criatura, novamente o sofrimento te apoquenta. Tenho pena de ti. Vou salvar-te uma vez mais!

Acto contínuo, pegou no escorpião colocando-o em terra firme e segura. Escusado seria dizer que, mais uma vez, o animal ferrou o santo homem que acabava de o salvar da morte certa pela segunda vez consecutiva em poucos minutos. E desta feita a ferroada foi ainda mais violenta do que a primeira. O homem gritou bem alto com tão tremenda dor.

Não se contendo mais, o jovem observador abandona o seu posto de vigia e dirige-se ao local onde os estranhos acontecimentos se desenrolavam, entabulando com o Monge o seguinte diálogo:

– Você é um tolo! Ou está louco?! Porque fez isso? Da primeira vez, errou, porque sabia que com toda a certeza seria mordido pelo bicho, e da segunda, repetiu o mesmo erro. Porquê?!

– Meu amigo, o que posso fazer? A minha natureza é amar, a minha natureza é salvar. A natureza do escorpião é odiar, a natureza do escorpião é ferroar. Eu tenho de seguir a minha própria natureza e o escorpião tem de seguir a sua própria natureza. Não permitirei que a natureza dele altere a minha natureza. Se ele cair à água outra vez, eu tirá-lo-ei, não importando quantas vezes ele venha a cair. Serei picado, chorarei, lamentarei; mas não negarei a minha natureza, que é amar, salvar e proteger os outros.

Ao ouvir estas palavras o jovem ajoelha-se diante do Monge, toca-lhe os seus pés e diz-lhe:

– Senhor! O senhor é o meu Mestre, o meu Guru. Eu tenho procurado, ansiado por um Guru. Hoje, encontro no senhor o meu verdadeiro Guru. E como sou seu discípulo, de agora em diante, se o escorpião cair ao rio, serei eu quem vai salvá-lo e colocá-lo de volta em terra.

(Ditas aquelas palavras, o jovem discípulo, prosternado, canta uma oração em frente do seu Mestre.)

(Enquanto o jovem cantava, o Monge escutava-o e seguia o escorpião com os seus olhitos atentos. O Guru, agora sentado na margem, observa a cena. Ao cabo de alguns minutos, o escorpião cai outra vez ao rio. O discípulo apressa-se a ir em seu socorro, como prometera ao seu Mestre. Lança-se ao rio, pega no escorpião e põe-o em terra firme, mas o escorpião não o fere. Ao contrário do que havia feito com o velho Monge, por duas vezes, ao jovem discípulo o escorpião não deu uma ferroada.)

– Como pode ser isto, Mestre? Eu não fui ferido. Pensei que eu também seria picado pelo escorpião. O senhor foi ferido impiedosamente duas vezes. Eu não entendo!

– Meu bom rapaz, tu não entendes? Tenho que te dizer? Tu acreditarás em mim?

– Por favor, por favor, diga-me. Eu acreditarei no senhor, Mestre.

– O escorpião também tem uma alma, e essa alma disse-lhe que, se ele te picasse, ao invés de colocá-lo em terra, tu o matarias imediatamente. O escorpião sabia que tu não aceitarias aquilo, que não irias tolerar a sua ingratidão. De ti, o escorpião não obteve qualquer garantia de segurança. O escorpião não te picou porque sentiu isso. No meu caso, a alma do escorpião sabia que eu jamais o mataria, independente de quantas vezes ele me picasse; eu apenas pegaria nele e o colocaria em terra, para sua segurança.

(No dia-a-dia, as pessoas também lutam, discutem e ameaçam outras apenas quando percebem que os seus opositores são fracos ou não querem lutar. Mas, caso vejam que alguém é mais forte do que elas, então ficam caladas.)

CONCLUSÃO: Pauta-te sempre por bons valores e não permitas que a natureza dos outros altere a tua natureza!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Capitão no seu posto de comando, vai sulcando as ondas da eternidade!

S. Leonardo da Galafura

À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.

Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.

Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!

(Miguel Torga, in Diário IX)